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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

ROSÁRIO


O costume de contar pequenas orações de repetição nos dedos da mão, por meio de pedrinhas, grãos ou ossinhos, soltos ou unidos por um barbante, é muito antigo e utilizado por fiéis de muitas religiões. O Islamismo, fundado por Maomé (que nasceu em torno de 570 e morreu em 632), usa o "subha", feito de madeira, osso ou madre-pérola, e consta de três grupos de trinta e três contas para recitar noventa e nove nomes de Deus. No cristianismo, isto se verificava entre os monges nos séculos IV e V (anos 300 e 400).

Primeiramente, foi introduzido o costume de rezar determinado número de vezes o Pai Nosso. Isto se dava de modo especial nos mosteiros, sobretudo a partir do século X (depois do ano 900) onde muitos cristãos que faziam os votos de vida religiosa não tinham condições de participar das orações dos salmos (do saltério), com leituras e cânticos. Seus superiores estabeleciam para eles a recitação do Pai-Nosso determinado número de vezes.

Até o século VII (depois do ano 600), a frase do anúncio do anjo a Maria era a antífona do ofertório do quarto domingo de Advento. É antiga também a recitação da parte da "Ave Maria" que recordava a mensagem do anjo e as palavras de Isabel a Nossa Senhora quando esta a visitou. O nome Jesus no final da primeira parte e a segunda parte foram introduzidos em torno do ano 1480.

Inicialmente, a recitação da Ave Maria era feita sem a inclusão de fatos - mistérios - da vida de Cristo. Entre 1410 e 1439, o monge cartuxo Domingo de Prusia, de Colônia, Alemanha, introduziu uma espécie de saltério mariano, com 50 Ave-Marias, mas cada uma era seguida de uma referência a uma passagem do Evangelho, como uma jaculatória. Assim, os salmos eram substituídos pelas Ave-Marias e as antífonas, pelas passagens evangélicas.

A iniciativa do monge teve plena aceitação e popularização. Os ditos saltérios marianos se multiplicaram. Chegou-se a ter em torno de 300 referências ao Evangelho. O dominicano Alano de la Roche (1428-1475) empenhou-se muito na promoção do saltério mariano, que começou a se chamar "Rosário da Bem-Aventurada Virgem Maria". Outro dominicano, Alberto de Castello, em 1521, simplificou o Rosário, escolhendo 15 passagens evangélicas para meditação a cada dez Ave-Marias. São Pio V, Papa de 1566 a 1572, época final e de implementação do Concílio de Trento, em que foram organizados os livros litúrgicos utilizados até o Concílio Vaticano II, estabeleceu a atual configuração do Rosário. Ele atribuiu à oração do Rosário a vitória naval de Lepanto, em 07 de outubro de 1571, que salvou o povo cristão da Europa de um grande perigo. Por causa disto, introduziu a festa de Nossa Senhora do Rosário.

Esta designação de "rosário" pode ter origem no costume de, em alguns lugares, o povo oferecer coroas (guirlandas) de rosas à sua rainha. Os cristãos transferiram isto a Maria, a rainha do céu e da terra: oferecer-lhe uma coroa de 150 rosas - Ave-Marias. Daí o rosário, mas dividido em três partes, resultando o terço. Cada dez Ave-Marias, um fato da vida de Jesus e de Maria: cinco fatos da infância: mistérios da alegria (gozosos); cinco fatos da dor, da paixão e morte (dolorosos); cinco da vitória de Cristo e da participação de Maria nela (gloriosos). Como ficava fora a pregação de Jesus, João Paulo II, em 16 de outubro de 2002, acrescentou cinco mistérios da luz (luminosos). Assim, o rosário passa a ter 200 Ave-Marias (duzentas rosas) e cada série de cinco mistérios passa a ser um quarto. Mas, pela tradição, continuar-se-á a falar em rezar um terço ou um rosário.

Conforme outra fonte, viria de uma tradição popular, segundo a qual um monge rezava freqüentemente 50 Ave-Marias, as quais se deslocavam de seus lábios como rosas que iam pousar na cabeça da Virgem Maria.

Importância e valor do rosário

No dia 16 de outubro de 2001, ao iniciar seu vigésimo quinto ano de pontificado, João Paulo II promulgou a carta apostólica Rosarium Virginis Mariae (RVM, sobre o Rosário). Por este documento, o Papa quis fazer um relançamento desta devoção querida da piedade popular e proclamou o ano do Rosário de outubro de 2002 a outubro de 2003, desejando que fosse acolhido com generosidade e solicitude.

Algumas circunstâncias históricas levaram João Paulo II a fazer este relançamento do Rosário: a crise do mundo atual com efeitos devastadores na família e nas relações entre os povos.

O Rosário, formado no segundo milênio por inspiração do Espírito Santo, é oração de grande significado e destinado a produzir frutos de santidade. É oração cristológica, uma espécie de compêndio do Evangelho, que concentra a profundidade de toda a mensagem de Cristo. Nele ecoa a oração de Maria. Com ele, o povo cristão freqüenta a escola de Maria para introduzir-se na contemplação do rosto de Cristo e na experiência do seu amor infinito.

Mesmo que seja devoção mariana, o Rosário é oração cristológica, ou seja, tem Cristo como centro. Torna-se verdadeiro caminho espiritual, no qual Maria se torna mãe, irmã, mestra, guia para o Deus trinitário, socorrendo-nos com sua intercessão sempre eficaz.

O Rosário é oração contemplativa, bem de acordo com a figura de Maria que guardava e meditava no seu coração os mistérios de Cristo. Ele ajuda a Igreja a viver uma de suas características que é a da escuta de seu Mestre e Senhor. Pela contemplação a que ele conduz, favorece a assimilação do jeito de ser de Cristo, dos sentimentos e ensinamentos.

O Rosário nos faz aprender Cristo de Maria; por ele, recordamos Cristo com Maria, nos conformamos a Cristo com Maria, pedimos a Cristo com Maria e anunciamos Cristo com Maria. Oferece o segredo para o cristão conhecer Cristo de forma profunda e envolvente. Por outro lado, o conhecimento de Cristo leva ao conhecimento do mistério do ser humano. Percorrendo os mistérios de Jesus, o discípulo de Cristo encontra a verdade profunda da existência humana. "Contemplando o seu nascimento aprende a sacralidade da vida, olhando para a casa de Nazaré aprende a verdade originária da família segundo o desígnio de Deus, escutando o Mestre nos mistérios da vida pública recebe a luz para entrar no Reino de Deus, e seguindo-O no caminho para o Calvário aprende o sentido da dor salvífica. Contemplando, enfim, a Cristo e sua Mãe na glória, vê a meta para a qual cada um de nós é chamado, se se deixa curar e transfigurar pelo Espírito Santo. Pode-se dizer, portanto, que cada mistério do Rosário, bem meditado, ilumina o mistério do homem" (Cfr Ângelo Amato, SDB, L'Osservatore Romano, 15/02/2003, p. 04).

Por tudo o que significa, o Rosário é precioso exercício da piedade cristã e recurso a ser utilizado com zelo especial por todo o evangelizador.

Os mistérios do Rosário

Um dos significados da palavra mistério é o de realidade de salvação, sinal de graça divina. Mistérios são as palavras, os gestos e sinais de Jesus; mistério é o Evangelho no seu conjunto; mistério, especialmente, é o próprio Cristo. Ele é o grande sinal revelador do Pai. "De tal modo amou Deus o mundo que lhe enviou seu próprio Filho, a fim de que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16).

O Rosário se organizou tendo como referência os 150 salmos. A cada salmo, corresponde uma Ave-Maria, em série de dez. A cada dezena, intercalou-se um fato da vida de Jesus, um "mistério". Assim, três séries de cinco mistérios (três terços) cobrem as 150 Ave-Marias, divididas em 15 dezenas. Mistérios da alegria, da dor e da glória, como se disse acima.

Visando dar destaque à pregação de Cristo, à sua vida pública entre o batismo e a paixão, o Papa criou uma nova série de mistérios, os da luz ou luminosos.

Cristo é a luz do mundo (Jo 8, 12). Tudo o que ele diz e faz irradia a luz salvadora. Mas o Papa quis indicar cinco momentos especialmente luminosos de seu ministério: seu batismo no Jordão, sua auto-revelação nas bodas de Caná, seu anúncio do Reino de Deus com o convite à conversão, sua Transfiguração e, enfim, a instituição da Eucaristia, expressão sacramental do mistério pascal.

Os mistérios do Rosário sugerem compromissos muito abrangentes. Os gozosos contemplam a vida escondida do Menino Jesus e propõem aceitar e promover a vida. Os da luz ressaltam o anúncio do Reino de Cristo e exortam a viver as bem-aventuranças. Os dolorosos apresentam Cristo crucificado e exigem que nos inclinemos como cireneus sobre o ser humano que sofre. Os gloriosos contemplam Cristo ressuscitado, o que significa compromisso na renovação de todas as coisas.

Mistérios Gozosos (segunda-feira e sábado)

1. A ANUNCIAÇÃO DO ARCANJO GABRIEL A NOSSA SENHORA - "O anjo Gabriel entrou no lugar onde Maria estava e disse: 'Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo" (Lc 1,28).

2. A VISITA DE NOSSA SENHORA A SUA PRIMA SANTA ISABEL - "Maria foi à casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou de alegria em seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou: 'bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre'" (Lc 1,41-42) .

3. O NASCIMENTO DE JESUS EM BELÉM - "Maria deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria" (Lc 2, 7).

4. A APRESENTAÇÃO DO MENINO JESUS NO TEMPLO - "José e Maria levaram o Menino a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor, conforme está escrito na Lei do Senhor: `Todo primogênito masculino será consagrado ao Senhor'" (Lc 2, 22 - 28).

5. REENCONTRO DE JESUS NO TEMPLO ENTRE OS DOUTORES DA LEI - "Depois de três dias, José e Maria encontraram o Menino Jesus no templo. Ele estava sentado entre os mestres, ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas. Todos os que o ouviam ficavam maravilhados de sua sabedoria e de suas respostas" (Lc 2, 46).

Mistérios Luminosos (quinta-feira)

1. O BATISMO DE JESUS NO JORDÃO - Aqui, enquanto Cristo desce à água do rio, como inocente que "Se faz pecado por nós" (cf. 2 Cor 5, 21), "o céu abre-se e a voz do Pai proclama-O Filho dileto" (cf. Mt 3, 17 par), "ao mesmo tempo em que o Espírito vem sobre Ele para investi-lO na missão que O espera".

2. A AUTO-REVELAÇÃO DE JESUS NAS BODAS DE CANÁ - A Sua auto-revelação nas Bodas é o início dos sinais em Caná (cf. Jo 2, 1-12), quando Cristo, transformando a água em vinho, abre à fé o coração dos discípulos graças à intervenção de Maria, a primeira entre os crentes.

3. O ANÚNCIO DO REINO DE DEUS POR JESUS COM O CONVITE À CONVERSÃO - O Seu anúncio do Reino de Deus é a pregação com a qual Jesus anuncia o advento do Reino de Deus e convida à conversão (cf. Mc 1, 15), perdoando os pecados de quem a Ele se dirige com humilde confiança (cf.Mc 2, 3-13; Lc 7, 47-48), início do ministério de misericórdia que Ele prosseguirá exercendo até ao fim do mundo, especialmente através do sacramento da Reconciliação confiado à sua Igreja (cf. Jo 20, 22-23).

4. A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS - A Transfiguração é mistério de luz por excelência, que, segundo a tradição, se deu no Monte Tabor. A glória da Divindade reluz no rosto de Cristo, enquanto o Pai O acredita aos Apóstolos extasiados para que O "escutem" (cf. Lc 9, 35 par) e se disponham a viver com Ele o momento doloroso da Paixão, a fim de chegarem com Ele à glória da Ressurreição e a uma vida transfigurada pelo Espírito Santo.

5. A INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA, EXPRESSÃO SACRAMENTAL DO MISTÉRIO PASCAL - A instituição da Eucaristia, na qual Cristo Se faz alimento com o seu Corpo e o seu Sangue sob os sinais do pão e do vinho, testemunhando "até ao extremo" o seu amor pela humanidade (Jo 13, 1), por cuja salvação Se oferecerá em sacrifício.

Mistérios Dolorosos (terça e sexta-feira)

I A AGONIA DE JESUS NO HORTO DAS OLIVEIRAS - "No monte das Oliveiras, Jesus, de joelhos, começou a orar. 'Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua'. ... Entrando em agonia, Jesus orava com mais insistência. Seu suor tornou-se como gotas de sangue que caíam no chão" (Lc 22, 39-45).

2. A FLAGELAÇÃO DE JESUS - "Pilatos perguntou: 'que quereis que eu faça com o Rei dos judeus?' Eles gritaram: 'crucifica-o'. Pilatos querendo satisfazer a multidão, soltou Barrabás, mandou açoitar Jesus e entregou-o para ser crucificado" (Jo 19, 17).

3. A COROAÇÃO DE ESPINHOS - "Os soldados do governador tiraram a roupa de Jesus e o vestiram com um manto vermelho; depois trançaram uma coroa de espinhos e puseram-na em sua cabeça, e uma vara em sua mão direita" (Mt 27, 27-29).

4. A SUBIDA DOLOROSA DO CALVÁRIO - "Pilatos entregou Jesus para ser crucificado. E eles o levaram. Jesus, carregando ele mesmo a cruz, saiu para o lugar chamado Caveira (em hebraico: Gólgota)" (Jo 19, 16-17).

5 A MORTE DE JESUS - "Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram e os malfeitores. ... mais ou menos ao meio-dia... Jesus deu um forte grito: 'Pai , em tuas mãos entrego o meu espírito'. Dizendo isto, expirou" (Lc 23, 33-46).

Mistérios Gloriosos (quarta-feira e domingo)

1. A RESSURREIÇÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO - "O anjo falou às mulheres: 'Vós não precisais ter medo! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito! Vinde ver o lugar em que ele estava" (Mt 28, 5-7).

2. A ASCENSÃO ADMIRÁVEL DE JESUS CRISTO AO CÉU - "Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu e sentou-se à direita de Deus" (Mc 16, 19).

3. A VINDA DO ESPIRITO SANTO - Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. ... Todos ficaram repletos de Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia expressar-se" (At 2, 1-4).

4. A ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA AO CÉU - "Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida com o sol, tendo a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas" (Ap 12, 1).

5. A COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA NO CÉU - "Tu és a glória de Jerusalém, a alegria de Israel, a honra de nosso povo. O Senhor te fortaleceu e por isso serás eternamente bendita" (Jdt 15, 10-11).

O simbolismo do terço

Em 1992, Dom Valfredo Tepe, Bispo de Ilhéus (falecido no dia 14/02/2003, aos 84 anos), orientou o dia de retiro aos Bispos em sua Assembléia anual. Ofereceu a todos uma reflexão sobre o terço, com a sugestão de uma outra série de mistérios: os jubilosos - batismo de Jesus, bodas de Caná, evangelização de Jesus, sinais libertadores de Jesus e opção preferencial de Jesus pelos marginalizados.

Segundo Dom Tepe, o próprio terço é um símbolo. Ele forma um círculo. Sua saída coincide com a chegada. Lembra o que Jesus falou: saí do Pai e volto ao Pai (Jo 16, 28). Nós também viemos do Pai e devemos voltar a Ele. A forma de fazê-lo é seguir Cristo, que se declarou nosso caminho (Jo 14, 8) e convida a cada um a segui-lo (Mt 19,21).

Pelo terço, meditamos na volta que Jesus deu por este mundo. Com Ele, vamos desfiando as contas da própria vida - os fatos, os acontecimentos da vida, unidos pelo fio da fé. Sem a fé, os dias de nossa vida viram um amontoado de contas perdidas no chão, como acontece com as contas do terço quando se quebra o fio que as mantém unidas.

O centro do terço é Cristo crucificado. Tendo-o nas mãos, recorda que nossa vida e nossa oração devem ter seu centro em Cristo. Como rezamos na grande elevação da Missa, por Cristo, com Cristo e em Cristo, pelo Espírito Santo, procuramos fazer a vontade do Pai e o bendizemos.

Um grande devoto e incentivador do Rosário, o Beato Bartolo Longo, via no terço também uma suave "cadeia" a nos unir a Deus e a nos enlaçar com os irmãos, em união com Nossa Mãe, Maria Santíssima Cfr RVM, 36).

A oração do Rosário pela paz e pela família

Dois aspectos do mundo de hoje deram motivação especial ao Papa para relançar o Rosário e indicar-lhe duas intenções prioritárias: a crise no mundo com sempre novas situações de sangue e violência e a crise da família, continuamente ameaçada por forças destruidoras que fazem temer pelo seu futuro. Por isso, propõe a oração do Rosário pela paz e pela família, na tradição de confiar à sua eficácia as causas mais difíceis.

Porque o Rosário faz contemplar Cristo, Príncipe da paz e "nossa paz" (Ef 2,14), o Rosário é uma oração orientada para a paz. É oração de paz também pelos frutos de caridade que produz, pois a paz é fruto da justiça e do amor, como dizia Pio XII; ou, como lembrava o Beato João XXIII na Pacem In Terris (166), ela é fruto da ordem fundada na verdade, construída segundo a justiça, alimentada e consumada na caridade, realizada sob os auspícios da liberdade. Como tal, só se pode alcançá-la com uma intervenção do alto (RVM, 40) e com uma nova orientação da mente e do coração das pessoas. Rezado com fervor, o rosário leva a encontrar Cristo contemplado nos mistérios e impulsiona a encontrá-lo nos irmãos. Contemplando-o criança nascida em Belém, sem lugar na hospedaria e perseguido por Herodes, como não pensar nas crianças que sofrem em todo o mundo? Contemplando-o na revelação do amor do Pai, como não empenhar-se em irradiar as bem-aventuranças no dia-a-dia? Contemplando-o nos mistérios da dor, como não viver a solidariedade com os sofredores? Mais ainda, fazendo-nos fixar o olhar em Cristo, o Rosário propõe agir como Ele, tornando-nos construtores de paz. A oração não é fuga dos problemas, mas recurso indispensável para superá-los. Desta forma, o Rosário pode apontar para os horizontes vastos das exigências sociais da fé, pode estimular para o empenho pela doutrina social da Igreja. Neste sentido, segundo o Secretário do Pontifício Conselho Justiça e Paz, Dom Giampaolo Crepaldi, a dimensão teológica Mariana da doutrina social da Igreja, a relação entre doutrina social e oração mariana, precisa ser aprofundada (Cf L'Osservatore Romano, 15/3/2003, p. 04).

O Rosário sempre foi oração querida das famílias e muito favoreceu sua união e seu crescimento. Sua oração torna-se motivo e oportunidade de a família encontrar-se, no corre-corre da vida e com o pouco tempo que dispõe de estar junto tomado pelas imagens da televisão. "Retomar a recitação do Rosário em família significa inserir na vida diária imagens bem diferentes - as do mistério que salva: a imagem do Redentor, a imagem de sua Mãe Santíssima. A família, que reza unida o Rosário, reproduz em certa medida o clima da casa de Nazaré: põe-se Jesus no centro, partilham-se com Ele alegrias e sofrimentos, colocam-se nas suas mãos necessidades e projetos, e d'Ele se recebe a esperança e a força para o caminho" (RMV, 41). Rezando o Rosário pelos filhos e com eles, os pais estarão apresentando as etapas de crescimento de Jesus, desde a encarnação até a ressurreição como seu ideal de vida. Ao mesmo tempo, estarão realizando a catequese da oração.

Por tudo isto, o Rosário permanece um tesouro a ser descoberto e vivido.

Fonte:Pe. Antonio Vanlentini Neto

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O ROSÁRIO

O ROSÁRIO, meio fácil e seguro de salvação
Publicado 2010/01/13
Author: Redação

"Ó Rosário bendito de Maria, doce cadeia que nos prende a Deus (...) Não te deixaremos nunca mais!" Esta exclamação do Papa João Paulo II constitui o fecho de ouro de uma esplendorosa cerimônia em homenagem ao santo Rosário, realizada pelos Arautos do Evangelho na Basílica de Nossa Senhora do Carmo, em São Paulo, no dia 15 de agosto do ano de 2004. O texto abaixo foi proclamado ao longo da cerimônia, entremeado por peças musicais executadas pelo Coro e Orquestra Internacional dos Arautos.

Por especial desígnio da infinita misericórdia de Deus, Maria Santíssima revelou ao grande São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Dominicanos, um meio fácil e seguro de salvação: o santo Rosário.

Sempre que os homens o utilizam, tudo floresce na Igreja, na terra passa a reinar a paz, as famílias vivem em concórdia e os corações são abrasados de amor a Deus e ao próximo.

Quando dele se esquecem, as desgraças se multiplicam, implanta-se a discórdia nos lares, o caos se estabelece no mundo...

A Ave-Maria, base do Novo Testamento

São Domingos viveu numa época de grandes tribulações para a Igreja. A terrível heresia dos albigenses se espalhara no sul da França e ameaçava toda a Europa. A profunda corrupção moral dela decorrente abalava os fundamentos da própria sociedade temporal.

Por meio de ardorosas pregações, durante anos tentou ele reconduzir ao seio da Igreja aqueles infelizes que se tinham desviado da verdade. Mas suas eloqüentes e inflamadas palavras não conseguiam penetrar aqueles corações


Nossa Senhora do Rosário, com São Domingos e Santa Catarina de Siena empedernidos e entregues aos vícios.

O Santo intensificou suas orações... Aumentou suas penitências... Fundou um instituto religioso para acolher os convertidos... De pouco ou nada adiantaram seus esforços. As conversões eram poucas e de efêmera duração.

O que fazer?

Certo dia, decidido a arrancar de Deus graças superabundantes para mover à conversão aquelas almas, Frei Domingos entrou numa floresta perto de Toulouse e entregou-se à oração e à penitência, disposto a não sair dali sem obter do Céu uma resposta favorável.

Após três dias e três noites de incessantes súplicas, quando as forças físicas já quase o abandonavam, apareceu- lhe a Virgem Maria, dizendo com inefável suavidade:

- Meu querido Domingos, sabes de que meio se serviu a Santíssima Trindade para reformar o mundo?

- Senhora, sabeis melhor do que eu, porque, depois de vosso Filho Jesus Cristo, fostes Vós o principal instrumento de nossa salvação.

- Eu te digo, então, que o instrumento mais importante foi a Saudação Angélica, a Ave-Maria, que é o fundamento do Novo Testamento. E, portanto, se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, reza meu Rosário.

Raios e trovões para reforçar a pregação

Com novo ânimo, o zeloso Dominicano dirigiu-se imediatamente à Catedral de Toulouse, para fazer uma pregação.
Mal ele transpôs a porta do templo, os sinos começaram a repicar, por obra dos anjos, para reunir os habitantes da cidade.

Assim que ele começou a falar, nuvens espessas cobriram o céu e desabou uma terrível tempestade, com raios e trovões, agravada por um apavorante tremor de terra.

O pavor dos assistentes aumentou quando uma imagem de Nossa Senhora, situada em local bem visível, levantou os braços três vezes para pedir a Deus vingança contra eles, se não se convertessem e pedissem a proteção de sua Santíssima Mãe.

O santo Pregador implorou a misericórdia de Deus, e a tempestade cessou, permitindo-lhe falar com toda calma sobre as maravilhas do Rosário.

Os habitantes de Toulouse arrependeram- se de seus pecados, abandonaram o erro, e começaram a rezar o Rosário. Em conseqüência, grande foi a mudança dos costumes nessa cidade.

A partir de então, São Domingos, em seus sermões, passou a pregar a devoção ao Rosário, convidando seus ouvintes a rezá-lo com fervor todos os dias. Assim, obteve que a misericórdia de Nossa Senhora envolvesse as almas e as transformasse profundamente.

Maria foi a verdadeira vencedora dos erros dos albigenses.

Um sermão escrito pela Santíssima Virgem

Relata o Beato Alano uma aparição de São Domingos, na qual este lhe narrou o seguinte episódio:

Rezando o Rosário, estava ele preparandose para fazer na Catedral de Notre Dame de Paris um sermão sobre São João Evangelista. Apareceu-lhe então Nossa Senhora e lhe entregou um pergaminho, dizendo: "Domingos, por melhor que seja o sermão que decidiste pregar, trago aqui outro melhor". Muito contente, leu o pergaminho, agradeceu de todo coração a Maria e se dirigiu ao púlpito para começar a pregação. Diante dele estavam os professores e alunos da Universidade de Paris, além de grande número de pessoas de importância.

Sobre o Apóstolo São João, apenas afirmou o quanto este merecera ter sido escolhido para guardião da Rainha do Céu. Em seguida, acrescentou: "Senhores e mestres ilustres, estais acostumados a ouvir sermões elegantes e sábios, porém, eu não quero dirigir-vos as doutas palavras da sabedoria humana, mas mostrar-vos o Espírito de Deus e sua virtude".

E então São Domingos passou a explicar a Ave-Maria, como lhe tinha ensinado Nossa Senhora, comovendo assim, profundamente, aquele auditório de homens cultos.

O Beato Alano de la Roche

As próprias graças e milagres concedidos por Deus através da recitação do Rosário encarregaram-se de propagá- lo por toda parte, tornando-se esta a devoção mais querida dos fiéis cristãos.

Enquanto ela foi praticada, a piedade florescia nas Ordens religiosas e no mundo católico.

Mas, cem anos depois de ter sido divulgada por São Domingos, já ela havia caído quase no esquecimento. Como conseqüência, multiplicaram-se os males sobre a Cristandade: a peste negra devastou a Europa, dizimando um terço da população, surgiram novas heresias, a Guerra dos Cem Anos espalhou desordens por toda parte, e o Grande Cisma do Ocidente dividiu a Igreja durante longo período.

Para atalhar o mal e, sobretudo, preparar a Igreja para enfrentar os embates futuros, suscitou Deus o Beato Alano de la Roche, da Ordem Dominicana, com a missão de restaurar o antigo fervor pelo Rosário.

Um dia em que ele celebrava Missa, em 1460, perguntou-lhe Nosso Senhor: "Por que me crucificas tu de novo? E me crucificas, não só por teus pecados, mas ainda porque sabes quanto é necessário pregar o Rosário e assim desviar muitas almas do pecado. Se não o fazes, és culpado dos pecados que elas cometem".

A partir de então, o Beato Alano tornou-se um incansável divulgador desta devoção, e assim converteu grande número de almas.

Fator decisivo de grandes vitórias

Foi, sobretudo, nos momentos de grandes perigos e provações para a Igreja, que o Rosário teve um papel decisivo, propiciou a perseverança dos católicos na Fé e levantou uma barreira contra o mal.

Ao ver a Europa ameaçada pelos exércitos do império otomano, que avançavam por mar e por terra, devastando tudo e perseguindo os cristãos, o Papa São Pio V mandou rezar o Rosário em toda a Cristandade, implorando a proteção de Nossa Senhora. Ao mesmo tempo, com o auxílio da Espanha e de Veneza, reuniu uma esquadra no Mar Mediterrâneo para defender os países católicos.

A sete de outubro de 1571, a frota católica encontrou a poderosa esquadra otomana no golfo de Lepanto. E apesar da superioridade numérica do adversário, os cristãos saíram triunfantes, afastando definitivamente o risco de uma invasão.

Antes de travar-se o combate, todos os soldados e marinheiros católicos rezaram o Rosário com grande devoção. A vitória, que parecia quase impossível, deveu-se à proteção da Virgem Santíssima, a qual - segundo testemunho dado pelos próprios muçulmanos - apareceu durante a batalha, infundindo- lhes grande terror.

No século XVIII, para comemorar a vitória do Príncipe Eugênio de Saboya sobre o exército otomano, devida também à eficácia do Rosário, o Papa Clemente XI ordenou que a festa de Nossa Senhora do Rosário fosse celebrada universalmente.

São Luís Grignion de Montfort

A Igreja seria ainda sacudida por muitas tempestades.

Visando fortalecer seus filhos e prepará- los para suportar as grandes provações futuras, suscitou Deus uma alma de fogo com a missão de reacender a chama da devoção ao Rosário, o qual mais uma vez tinha caído no esquecimento.

São Luís Maria Grignion de Montfort, o grande doutor da devoção à Mãe de Deus, exerceu sua missão profética um século antes da Revolução Francesa. As regiões nas quais se deram ouvidos à sua pregação foram as que melhor resistiram aos erros de sua época e conservaram íntegra a Fé.

Fátima, 1917: "Sou a Senhora do Rosário"

Já no século XX, quando a Primeira Guerra Mundial estava em seu auge, Nossa Senhora veio, Ela mesma, em pessoa, lembrar aos homens que a solução para seus males estava ao alcance das mãos, nas contas do Rosário: "Rezai o Terço todos os dias para alcançar a paz e o fim da guerra", repetiu Ela maternalmente aos três pastorzinhos, em Fátima.

Na última aparição, em outubro de 1917, a Virgem Maria disse quem era: "Sou a Senhora do Rosário". E para atestar a autenticidade das aparições e a importância do Rosário, operou um milagre de grandeza nunca vista, presenciado pela multidão de 70.000 pessoas que estavam no local: o sol girou no céu, ao meio-dia, parecendo precipitar- se sobre a terra, retomando depois sua posição habitual no firmamento.

Milagres dessa magnitude, só no Antigo Testamento encontramos. Mas nem assim o mundo deu ouvidos à Mãe de Deus. E nunca se abateram sobre a Terra tantas desgraças, nunca houve tantas guerras, nunca a desagregação moral chegou tão baixo.

Entretanto, o meio de obter a paz para o mundo, para as famílias, para os corações, continua ao alcance de nossas mãos, nas contas benditas do Rosário, que Maria Santíssima trazia suspenso de seu braço quando apareceu em Fátima.

Salvou-se porque levava o Terço à cintura

Não é possível expressar quanto a Santíssima Virgem estima o Rosário sobre todas as demais devoções, e como é generosa em recompensar os que trabalham para divulgá-lo.

Conta São Luís de Montfort o caso de Afonso IX, Rei de León, a quem Nossa Senhora protegeu particularmente, pelo simples fato de portar o Rosário à cintura.

Desejando que os seus súditos honrassem a Santíssima Virgem, e para animá-los com seu exemplo, ocorreu a esse monarca portar ostensivamente um grande Rosário, ainda que não o rezasse.

Isto bastou para incentivar os seus cortesãos a rezá-lo devotamente.

Algum tempo depois, o rei ficou às portas da morte, acometido por uma grave enfermidade. Foi então transportado em espírito ao tribunal de Deus, onde os demônios o acusaram de todos os seus crimes. E quando ia ser condenado às penas eternas, apresentou- se em sua defesa a Santíssima Virgem diante de Jesus.

Num prato da balança, foram colocados os pecados do Rei. No outro, a Virgem Maria colocou o grande Rosário que ele portara em honra d'Ela, juntamente com os Rosários que, devido ao seu exemplo, haviam rezado outras pessoas, e estes pesavam mais que todos os pecados por ele cometidos.

Depois, Maria Santíssima, olhando com misericórdia para o Rei, disse: "Consegui de meu Filho, como recompensa pelo pequeno serviço que Me fizeste, levando à cintura o Rosário, o prolongamento de tua vida por mais uns anos. Emprega-os bem, e faz penitência".

Voltando a si, o rei exclamou: "Oh! Bendito Rosário da Santíssima Virgem, por ele é que fui livre da condenação eterna!" E, recuperando a saúde, passou a rezar o Rosário todos os dias até o fim da vida.

A palavra do Papa, porta-voz de Jesus

"O Rosário transporta-nos misticamente para junto de Maria (...) para que Ela nos eduque e nos plasme até que Cristo esteja formado em nós plenamente" - ensina o Papa João Paulo II. E acrescenta: "Nunca, como no Rosário, o caminho de Cristo e o de Maria aparecem unidos tão profundamente. Maria só vive em Cristo e em função de Cristo".

Recordemos suas inspiradas palavras na Carta Apostólica "Rosarium Virginis Mariæ":

"O Rosário acompanhou-me nos momentos de alegria e nas provações. A ele confiei tantas preocupações; nele encontrei sempre conforto. O Rosário é minha oração predileta. Oração maravilhosa!

"Ó Rosário bendito de Maria, doce cadeia que nos prende a Deus, vínculo de amor que nos une aos Anjos, torre de salvação contra os assaltos do inferno, porto seguro no naufrágio geral!

"Não te deixaremos nunca mais!

"Serás o nosso conforto na hora da agonia. Seja para ti o último ósculo da vida que se apaga. E a última palavra dos nossos lábios há de ser o vosso nome suave, ó Rainha do Rosário, ó nossa Mãe querida, ó Refúgio dos pecadores, ó soberana consoladora dos tristes. Sede bendita em toda parte, hoje e sempre, na terra e no Céu. Amém."

Nunca deixe de rezá-lo!

Sim, acatando fielmente essa exortação do Papa, nunca deixe de rezar o Rosário, sob pretexto de ter muitas distrações involuntárias, falta de gosto em rezá-lo, muito cansaço, insuficiência de tempo, ou qualquer outro. Para rezar bem o Rosário, não é necessário sentir gosto, ter consolações, nem conseguir uma aplicação contínua da imaginação.
Bastam a fé pura e a boa intenção.

E veja quantos benefícios nos proporciona a recitação do Rosário!

• Eleva-nos ao conhecimento perfeito de Jesus Cristo.
• Purifica nossas almas do pecado.
• Faz-nos vitoriosos contra todos os nossos inimigos.
• Torna-nos fácil a prática das virtudes.
• Abrasa-nos no amor de Jesus Cristo.
• Enriquece-nos de graças e méritos.
• Fornece-nos os meios de pagar todas as nossas dívidas com Deus e com os homens.

A tudo isso, acrescenta São Luís Maria Grignion de Montfort:

- "Ainda que te encontres à beira do abismo ou já com um pé no inferno, ainda que estejas endurecido e obstinado como um demônio, cedo ou tarde te converterás e salvarás, contanto que rezes devotamente todos os dias o santo Rosário, para conhecer a verdade e obter a contrição e o perdão de teus pecados".

(Revista Arautos do Evangelho, Out/2004, n. 34, p. 34 à 38)
© 2008 2008 Associação Arautos do Evangelho do Brasil..

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

São Domingos de Gusmão e o poder da Devoção ao Rosário de Nossa Senhora






O Santo homem que recebeu das mãos da Virgem o Rosário

Histórico

Domingos de Gusmão nasceu em 24 de julho de 1170 na Caleruegam Reino de Castela. Seus pais pertenciam à pequena nobreza guerreira encarregada de defender contra os muçulmanos. Ele sempre teve inclinação pela vida religiosa e começou a estudar religião em 1189.

Domingos percebeu que, no seu tempo, a Europa do Norte pouco conhecia da verdade de Deus e foi para o local, juntamente com o bispo de Osma - Diogo. Quando o bispo teve de voltar à diocese, Domingos permaneceu sozinho muitas vezes no local.

São Domingos lutou para fundar sua ordem - a Ordem Dominicana, pois na época a o papa Inocêncio III decidiu proibir que fossem aceitas novas ordens religiosas, devido a tantos diversos movimentos que surgiram por todos os lados.

Com a morte do papa e a nomeação de Honório III, amigo de Domingos, a sua ordem religiosa foi instituída e aceita pela Igreja Católica.

Completamente desgastado pelo esforço, morre a 6 de Agosto de 1221, em Bolonha. É canonizado em 1234.

O Rosário - uma grande fonte da Salvação Eterna

Como o Santo Rosário chegou às mãos de São Domingos?

São Domingos estava na capela do convento das monjas do primeiro mosteiro da Ordem Dominicana rezando pela redenção das almas.

Foi aí então que Nossa Senhora apareceu-lhe e entregou-lhe o Rosário dizendo:

Como a saudação angélica foi o princípio da redenção do mundo, é necessário também que essa saudação seja o princípio da conversão dos hereges; que assim, pregando o Rosário que contém cento e cinquenta Ave Marias, você verá um sucesso maravilhoso em seus trabalhos e os mais empedernidos sectários se converterão aos milhares.

Foi a partir de aí então que Domingos com seu zelo inflamado começou a pregar sobre o Rosário e converter milhares de hereges à fé católica.

Eis que São Domingos estava a pregar o Rosário perto de Carcassona, trouxeram à sua presença um herege que, possesso pelo demônio, pregava contra o Santo Rosário. Havia mais de 12 mil pessoas presentes na pregação. Os demônios que possuíam esse infeliz foram obrigados a responder às perguntas de São Domingos, com muito constrangimento.

1 - Havia quinze mil deles no corpo desse pobre homem, porque ele atacou os quinze mistérios do Rosário - eis que o quarto mistério (Luminoso) foi adicionado ao rosário recentemente;

2 - Continuaram a testemunhar que, quando São Domingos pregava o Rosário ele impunha medo e horror nas profundezas do inferno e que ele era o homem que os demônios mais odiavam em todo o mundo, isto por causa das almas que ele arrancou deles através da devoção do Santo Rosário; revelaram ainda várias outras coisas.

São Domingos colocou o seu Rosário em volta do pescoço do possuído e pediu que os demônios lhe dissessem quem, de todos os santos nos céus eles mais temiam, e quem deveria ser, portanto mais amado e reverenciado pelos homens. Nesse momento eles soltaram um gemido inexprimível no qual a maioria das pessoas caiu por terra desmaiando de medo… - devemos lembrar que o diabo é o pai da mentira e neste momente ele se faz de vítima de São Domingos - e eles disseram:

-Domingos, nós te imploramos, pela paixão de Jesus Cristo e pelos méritos de sua Mãe e de todos os santos, deixe-nos sair desse corpo sem que falemos mais, pois os anjos responderão sua pergunta a qualquer momento…

São Domingos ajoelhou-se e rezou a Nossa Senhora para que ela forçasse os inimigos a proclamarem a verdade completa e nada mais que a verdade. Mal tinha terminado de rezar viu a Santíssima Virgem perto de si, rodeada por uma multidão de anjos - apenas Domingos era capaz de vê-la. Ela bateu no homem possesso com um cajado de ouro que segurava e disse:

- Responda ao meu servo Domingos imediatamente.

Então os demônios começaram a gritar:

-Oh, vós, que sois nossa inimiga, nossa ruína e nossa destruição, porque desceste dos céus só para nos torturar tão cruelmente? Oh, Advogada dos pecadores, vós que os tirais das presas do inferno, vós que sois o caminho certeiro para os céus, devemos nós, para o nosso próprio pesar, dizer toda a verdade e confessar diante de todos quem é que é a causa de nossa vergonha e nossa ruína? Oh, pobres de nós, príncipes da escuridão: então, ouçam bem, vocês cristãos: a Mãe de Jesus Cristo é todo-poderosa e ela pode salvar seus servos de caírem no Inferno. Ela é o Sol que destrói a escuridão de nossa astúcia e sutileza. É ela que descobre nossos planos ocultos, quebra nossas armadilhas e faz com que nossas tentações fiquem inúteis e sem efeito. Nós temos que dizer, porém de maneira relutante, que nem sequer uma alma que realmente perseverou no seu serviço foi condenada conosco; um simples suspiro que ela oferece à Santíssima Trindade é mais precioso que todas as orações, desejos e aspirações de todos os santos.

E continuaram ainda:

-Nós a tememos mais que todos os santos dos céus juntos e não temos nenhum sucesso com seus fiéis servos. Muitos cristãos que a invocam quando estão na hora da morte e que seriam condenados, de acordo com os nossos padrões ordinários, são salvos por sua intercessão. Oh, se pelo menos essa Maria (assim era na sua fúria como eles a chamaram) não tivesse se oposto aos nossos desígnios e esforços, teríamos conquistado a igreja e a teríamos destruído muito tempo atrás; e teríamos feito que todas as Ordens da Igreja caíssem no erro e na desordem. Agora, que somos forçados a falar, também lhe diremos isto: ninguém que persevera ao rezar o Rosário será condenado, porque ela obtém para seus servos a graça da verdadeira contrição por seus pecados e por meio dele, eles obtêm o perdão e a misericórdia de Deus.

O Santo insistiu para que todos rezassem o Rosário em voz alta. A cada Ave Maria a Santíssima Virgem fazia sair 100 demônios do corpo desse herege, em forma de carvões acesos.

Depois que foi curado, abjurou todos os seus erros e converteu-se, juntamente com outros amigos seus, tocados com a força do Rosário.

A recompensa para aqueles que atraem outros a devoção do Santo Rosário é enorme.
O Rei Afonso, de Leão e Galícia, desejando que todos os criados louvassem a Santíssima Virgem Maria com esta devoção, usava ostensivamente o Rosário, porém ele mesmo não rezava. No entanto, todos os súditos rezavam.

Ao cair em grave enfermidade, e quando todos o acreditavam morto, foi transportado em espírito ao tribunal de Cristo. Viu ali todos os demônios, que o acusavam de seus crimes e pecados.

Quando já pensava estar condenado, apareceu-lhe a Virgem Maria em seu favor. Trouxeram então uma balança, onde de um lado foi colocado todo o peso de seus pecados.

No entanto Nossa Senhora colocou no outro lado o enorme rosário que ele carregava na

cintura de modo a incentivar a oração pelos fiéis, e este pesava bem mais do que os pecados.

Nossa Senhora disse-lhe então:

-Obtive isto de meu bom Filho. Como recompensa pelo pequeno serviço que fizeste, carregando na cintura o Rosário, a tua vida será por alguns anos prolongada. Emprega-os bem e faze penitências.

O rei, voltando a si, disse:

-Oh! Bendito o Rosário, que me livrou das penas eternas.

Passou o resto da vida com grande devoção ao Rosário, rezando-o todos os dias.

O poder do Rosário é visto claramente

D. Pero, primo de São Domingos, levava uma vida muito devassa. Sabendo que muitos ouviam os sermões de seu santo primo, resolveu ouvi-lo também. Ao vê-lo, durante o sermão, S. Domingos empenhou-se para fazer ver ao primo o estado lamentável em que este se encontrava. Mergulhado no pecado, não se converteu.

No dia seguinte, São Domingos vendo-o entrar novamente, para tocar seu coração endurecido resolveu fazer algo de extraordinário. E gritou em alta voz:

-Senhor Jesus, fazei ver a todos desta igreja o estado em que se encontra este homem que acaba de entrar.

Os fiéis, voltando-se para D. Pero, viram-no rodeado de uma multidão de demônios em formas de animais horríveis, que o prendiam a correntes de ferro. Horrorizados, tentaram fugir, mas, impedidos por S. Domingos, permaneceram na igreja.

Ele então prosseguiu:

-Conhece, desgraçado, o deplorável estado em que te encontras. Ajoelha-te aos pés da Santíssima Virgem, toma este Rosário e reza-o com arrependimento e devoção, e muda a tua vida.

Ele se pôs de joelhos, rezou o Rosário e sentiu o desejo de confessar-se. O Santo o atendeu em confissão e instou-o a rezar o Rosário todos os dias. Na saída, da face assustadora com que antes entrara, nem resquícios havia. Pelo contrário, brilhava como a de um anjo.

Qual a arma mais potente contra o diabo e para a remissão dos pecados? O Rosário!

Em Roma havia uma fervorosa senhora cuja piedade edificava até os mais austeros monges. Certa vez foi confessar-se com S. Domingos, que lhe impôs como penitência rezar um Rosário, e depois aconselhou-a rezá-lo todos os dias de sua vida. Ela resmungou que rezava muitas outras orações, que não gostava do Rosário, e que já fazia muitas penitências; rezou então apenas uma vez.

Um dia, estando em oração, ela foi arrebatada em êxtase, e sua alma foi obrigada a comparecer diante do supremo Juiz. São Miguel apresentou uma balança, onde de um lado colocou todas as suas penitências e outras orações, e de outro lado seus pecados e imperfeições.

O prato das boas obras não conseguiu contrabalançar o outro. Alarmada, recorreu a Nossa Senhora, pedindo misericórdia. A Santíssima Virgem colocou sobre a balança das boas obras um único Rosário, o qual ela havia rezado por penitência. Foi tão grande o peso, que venceu o dos pecados. Foi repreendida por não haver seguido o conselho do servidor Domingos, de rezar o Santo Rosário todos os dias.

Quando voltou a si, foi ajoelhar-se diante de S. Domingos, contou o ocorrido, pediu-lhe perdão pela sua incredulidade e prometeu rezar o Rosário todos os dias. Chegou por este meio à perfeição cristã, à glória eterna.

O Rosário também se faz útil para realização de prodígios

São Domingos, ao visitar Santa Branca de Castela, Rainha de França casada havia doze anos, mas ainda sem filhos, aconselhou-a a rezar o Rosário. Ela assim o fez, e nasceu Felipe, seu primogênito, que cedo morreu. Além de redobrar as orações, ela distribuiu rosários por todo o Reino. Deus a cumulou de graças, e no ano de 1215 veio ao mundo São Luís, glória da Cristandade e modelo dos reis católicos.






Fonte: http://apelosdoceu.com/blog/2009/05/sao-domingos-de-gusmao-e-o-poder-da-devocao-ao-rosario-de-nossa-senhora/

sábado, 12 de dezembro de 2009

Indulgências do Rosário



Palavras de São Luís Maria Grignion de Montfort sobre o Santo Rosário
"Não é possível expressar quanto a Santíssima Virgem estima o Rosário sobre todas as demais devoções, e quão magnânimo é ao recompensar os que trabalham para pregá-lo, estabelecê-lo e cultivá-lo. Recitado enquanto são meditados os mistérios sagrados, o Rosário é manancial de maravilhosos frutos e depósito de toda espécie de bens. Através dele, os pecadores obtêm o perdão; as almas sedentas se saciam; os que choram acham alegria; os que são tentados, a tranqüilidade; os pobres são socorridos; os religiosos, reformados; os ignorantes, instruídos; os vivos triunfam da vaidade, e as almas do purgatório (por meio de sufrágios) encontram alívio. Perseverai, portanto, nessa santa devoção, e tereis a coroa admirável preparada no Céu para a vossa fidelidade”.

MONTFORT, São Luís Maria Grignion de, Tratado Da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Rio De Janeiro: Vozes, 28º edição.


Indulgências do Rosário
a) Os fiéis quando recitarem a terça parte do Rosário com devoção podem lucrar:
Uma indulgência de 5 anos (Bula "Ea quae ex fidelium", Sixto IV, 12 de maio 1479 ; S. C. Ind., 29 de agosto 1899 ; S. P. Ap., 18 de março 1932).
Uma indulgência plenária nas condições usuais, se eles rezarem [o terço] durante o mês inteiro(Pio XII ,22 de janeiro1952.) .
b) Se rezarem a terça parte do Rosário em companhia de outros Uma indulgência de 10 anos, uma vez ao dia; Uma indulgência plenária no ultimo Domingo de cada mês, juntamente com confissão, Comunhão e visita a uma igreja ou oratório público, se realizarem tal recitação ao mês três vezes em alguma das semanas precedentes. , seja em público ou privado, podem lucrar:
Se, de qualquer forma, rezarem juntos em família, além da indulgência parcial de 10 anos, lhes é concedido:
Uma indulgência plenária duas vezes ao mês, se realizarem a recitação diariamente durante um mês, forem à confissão, receberem a Santa Comunhão e visitarem alguma igreja ou oratório. (S. C. Ind., 12 de maio de 1851 e 29 agosto de 1899; S. P. Ap., 18 de março de 1932 e 26 de julho de 1946).
Os fiéis que diariamente recitam a terça parte do Rosário com devoção em um grupo familiar além das indulgências concedidas em b) também lhes é concedida uma Indulgência Plenária sob condição de Confissão, Comunhão a cada Sábado, em dois outros dias da semana e em cada uma das Festas da Beatíssima Virgem Maria no Calendário Universal, nomeadamente – A Imaculada Conceição, a Purificação, a Aparição da Beata Senhora em Lourdes, a Anunciação, as Sete Dores (sexta-feira da semana da paixão), a Visitação, Nossa Senhora do Carmo; Nossa Senhora das Neves, a Assunção, o Imaculado Coração de Maria, a Natividade da Santíssima Virgem, as Sete Dores (15 de setembro), Nossa Senhora do Sacratíssimo Rosário, a Maternidade da Beata Virgem Maria, a Apresentação da Beata Virgem Maria (S.P. Ap. 11 de outubro d e 1959)
c) Aqueles que piamente recitarem a terça parte do Rosário na presença do Santíssimo Sacramento Uma indulgência plenária, sob condição de confissão e Comunhão (B. Apostólico, 4 de setembro de 1927) , publicamente exposto ou mesmo reservado no tabernáculo, nas vezes que o fizerem, poderão lucrar:
Notas:
1. As dezenas podem ser separadas se o terço todo for completado no mesmo dia (S. C. Iml.., 8 de julho de 1908.)
2. Se, como é o costume durante a recitação do Rosário, os fiéis fizeram uso do terço, eles podem lucrar outras indulgências em adição àquelas enumeradas acima, se o terço for abençoado por um religioso da Ordem dos Pregadores ou outro padre tendo faculdades especiais. (S. C. Ind., 13 de abril de 1726. 22 de Janeiro de 1858 e 29 de Agosto de 1899). Raccolta 395

Exercícios de Devoção
Os fiéis que a qualquer tempo do ano devotamente oferecerem suas orações em honra a Nossa Senhora do Rosário, com a intenção de continuar as mesmas por nove dias consecutivos, podem lucrar:
Uma indulgência de 5 anos uma vez a qualquer dia da novena;
Uma indulgência plenária sob as condições usuais no encerramento da novena. (Pio IX, Audiência de 3 de Janeiro de 1849; S. C. dos Bispos e Religiosos, 28 de Janeiro de 1850; S. C. Ind., 26 de novembro de 1876; S. P. Ap., 29 de junho de 1932) V Raccolta 396

Os fiéis que resolverem realizar um exercício de devoção em honra a Nossa Senhora do Rosário por quinze ininterruptos Sábados (ou sendo impedidos, por quantos respectivos Domingos imediatamente seguintes), se devotamente recitarem no mínimo a terça parte do Rosário ou meditarem seus mistérios em alguma outra maneira, podem lucrar:
Uma indulgência plenária sob as condições usuais, em qualquer destes quinze Sábados ou Domingos correspondentes (S. C. Ind., 21 de setembro de 1889 e 17 de setembro de 1892; S. P. Ap.. 3 de agosto de 1936). Raccolta 397
Os fiéis que durante o mês de Outubro recitarem no mínimo a terça parte do Rosário, publica ou privadamente, podem lucrar:
Uma indulgência de 7 anos por dia;
Uma indulgência plenária, se realizarem este devoto exercício na Festa do Rosário e em sua Oitava, e além disso, forem à confissão, receberem a Santa Comunhão e visitarem uma igreja ou oratório público;
Uma indulgência plenária, juntamente com confissão, Santa Comunhão e visita a uma igreja ou oratório público, se realizarem a mesma recitação do Santo Rosário por no mínimo dez dias depois da Oitava da supracitada Festa ((S. C. Ind., 23 de Julho de 1898 e 29 de Agosto de 1899; S. P. Ap., 18 de Março de 1932). Raccolta 398
Uma indulgência de 500 dias pode ser lucrada uma vez ao dia pelos fiéis que, beijando o Santo Rosário que carregam consigo, ao mesmo tempo recitarem a primeira parte da Ave Maria até “Jesus”, inclusive. (Sagrada Congregação da Penitenciária Apostólica. 30 de março de 1953)

domingo, 15 de novembro de 2009

SANTO ROSÁRIO


O Rosário da Virgem Maria, que ao sopro do Espírito de Deus se foi formando gradualmente no segundo milênio, é oração amada por numerosos santos e estimulada pelo Magistério. Na sua simplicidade e profundidade, permanece, mesmo no terceiro milênio recém iniciado, uma oração de grande significado e destinada a produzir frutos de santidade. Ela enquadra-se perfeitamente no caminho espiritual de um cristianismo que, passados dois mil anos, nada perdeu do seu frescor original, e sente-se impulsionado pelo Espírito de Deus a "fazer-se ao largo" para reafirmar, melhor, "gritar" Cristo ao mundo como Senhor e Salvador, como "caminho, verdade e vida" (Jo 14, 6), como "o fim da história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da civilização."
Papa João Paulo II, Rosarium Virginis Mariae, 16 de outubro de 2002



O Papa João Paulo II, na sua força de alma, tem sempre intuições que mexem fundo na vida da Igreja. Tem nos surpreendido com gestos que marcarão por séculos. É um homem que é grande, porque se dá o direito de ser o que é na autenticidade pessoal, acima de toda estrutura que o cerca. Que Deus o fortaleça na sua missão "por quanto tempo Deus quiser", como ele próprio o diz.
Uma destas intuições foi dar ao rosário uma estrutura nova. Certamente não é algo de grande relevância, mas está ligado ao dia a dia de tantos cristãos. Ele mesmo diz no documento "Rosário da Virgem Maria": "o rosário acompanhou-me nos momentos de alegria e nas provações". Quando se fala que o Papa modificou a estrutura do rosário depois de 800 anos, não se está querendo dizer que estragou algo antigo, pois o próprio rosário já modificara e melhorara um modo de rezar que havia antes. Agora o Papa dá um novo impulso ao rosário, aumentando-o de um "terço". Assim ele completa o círculo da vida de Jesus, acrescentando os fatos da vida pública de Jesus. Por que não havia estes mistérios antes? Posso imaginar que, quando foi feita a reflexão sobre os mistérios de Jesus, a comunidade estava mais ligada aos fatos históricos de nascimento, morte e ressurreição.
A estrutura do rosário era assim: 150 Ave-Marias, divididas de dez em dez por um Pai-Nosso e um Glória ao Pai. Estas 150 Ave-Marias eram divididas em três grupos, por isso dizemos terço, com a meditação dos mistérios gososos que falam da infância de Jesus; dos mistérios dolorosos que contemplam sua Paixão e Morte; dos mistérios gloriosos que rezam a ressurreição, ascensão e vinda do Espírito Santo, completados pelos mistérios da Assunção e Coroação de Maria. O Papa acrescenta os mistérios da luz, os luminosos, que nos trazem a contemplação dos fatos da vida pública de Jesus. Cristo é a Luz do Mundo (Jo 8,12). Jesus é Luz quando anuncia o evangelho do Reino. O Papa elenca então os cinco momentos significativos - mistérios luminosos - desta fase da vida de Jesus: 1º - Batismo de Jesus; 2º - Bodas de Cana; 3º - Anúncio do Reino de Deus; 4º - Transfiguração; 5º - Instituição da Eucaristia, expressão sacramental de seu mistério pascal. A partir daí, o Papa explica o sentido de cada acontecimento da vida de Jesus meditados no terço.
O que muda para nós? Para os práticos de rezar o terço, mudam-se os dias da recitação. Isso não é obrigatório, é sugestão da Igreja. O esquema sugerido agora é este: segunda-feira e sábado: mistérios gozosos. Terça e sexta: mistérios dolorosos; Quarta e domingo: mistérios gloriosos. Quinta-feira será o dia dos mistérios luminosos.
Seria muito interessante que o terço fosse bem contemplado e enriquecido. Mas, nossa realidade leva a ser um pouco mais simples. Contudo, não podemos perder de vista seu caráter de intercessão pelos necessitados. Rezar pelos outros é o que vai tornar o seu terço realmente forte e consolador. Sem isso pode ser tornar um exercício espiritual vazio.
Fonte: Pe. Luiz Carlos de Oliveira


O ROSÁRIO
+ Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Amém.
Oferecimento
Divino Jesus, nós vos oferecemos este terço que vamos rezar, contemplando os mistérios da nossa redenção. Concedei-nos, por intercessão de Maria, vossa Mãe Santíssima, a quem nos dirigimos, as virtudes que nos são necessárias para rezá-lo bem e a graça de ganhar as indulgências desta santa devoção.
(Em seguida, reza-se o creio:)
Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso, de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos; creio no Espírito Santo, na Santa Igreja católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.
(Após o creio, reza-se um pai-nosso e três ave-marias e o glória.)
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte.
Amém.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre.
Amém.
(Após o glória, pode-se rezar uma jaculatória como abaixo ou outra à escolha:)
Ó meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem. Abençoai o Santo Padre o Papa, o nosso bispo diocesano e todo o povo de Deus.

Mistérios da Alegria
(Segundas e Sábados)

1. No primeiro mistério da alegria contemplamos a anunciação do Arcanjo São Gabriel à Virgem Maria (cf. Lc 1, 26-39).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
2. No segundo mistério da alegria contemplamos a visita de Maria à sua prima Isabel (cf. Lc 1, 39-56).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
3. No terceiro mistério da alegria contemplamos o nascimento de Jesus na gruta de Belém (cf. Lc 2, 1-15).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
4. No quarto mistério da alegria contemplamos a apresentação de Jesus no templo, onde Maria encontra o velho Simeão (cf. Lc 2, 22-33).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
5. No quinto mistério da alegria contemplamos Jesus perdido e encontrado no templo entre os doutores (cf. Lc 2, 42-52).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
(Após o último mistério rezam-se o agradecimento e a salve-rainha.)


Mistérios da Luz
(Quintas)

1. No primeiro mistério da luz contemplamos Jesus sendo batizado por João Batista no rio Jordão (cf. Mt 3, 13-16).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
2. No segundo mistério da luz contemplamos Jesus nas bodas de Caná, quando, a pedido de sua mãe, transforma água em vinho (cf. Jo 2, 1-12).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
3. No terceiro mistério da luz contemplamos Jesus anunciando o reino de Deus e convidando à conversão (cf. Mc 1, 14-15).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
4. No quarto mistério da luz contemplamos a transfiguração de Jesus no monte Tabor (cf. Lc 9, 28-36).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
5. No quinto mistério da luz contemplamos a santa ceia, na qual Jesus institui a eucaristia (cf. Mt 26, 26-29).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
(Após o último mistério rezam-se o agradecimento e a salve-rainha.)


Mistérios da Dor
(Terças e Sextas)

1. No primeiro mistério da dor contemplamos a agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras (cf. Mc 14, 32-43).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
2. No segundo mistério da dor contemplamos Jesus açoitado por ordem de Pilatos (cf. Jo 18, 38-40; 19, 1).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
3. No terceiro mistério da dor contemplamos Jesus coroado de espinhos (cf. Mt 27, 27-32).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
4. No quarto mistério da dor contemplamos Jesus carregando a cruz até o Monte Calvário (cf. Lc 23, 20-32; Mc 8, 34b).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
5. No quinto mistério da dor contemplamos a crucifixão e a morte de Jesus na cruz (cf. Lc 23, 33-47).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
(Após o último mistério rezam-se o agradecimento e a salve-rainha.)


Mistérios da Glória
(Quartas e Domingos)

1. No primeiro mistério da glória contemplamos a ressurreição de Jesus Cristo, nosso Senhor (cf. Mc 16, 1-8).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
2. No segundo mistério da glória contemplamos a ascensão de Jesus Cristo ao céu (cf. At 1, 4-11).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
3. No terceiro mistério da glória contemplamos a vinda do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os apóstolos (cf. At 2, 1-14).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
4. No quarto mistério da glória contemplamos a assunção de Nossa Senhora ao céu (cf. 1Cor 15, 20-23.53-55).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
5. No quinto mistério da glória contemplamos a coroação de Nossa Senhora como rainha do céu e da terra (cf. Ap 12, 1-6).
Pai-nosso, dez ave-marias, glória ao Pai.
(Após o último mistério rezam-se o agradecimento e a salve-rainha.)


Agradecimento
Infinitas graças vos damos, Soberana Rainha, pelos benefícios que todos os dias recebemos de vossas mãos maternais. Dignais-vos agora e para sempre tomar-nos debaixo de vosso poderoso amparo, e para mais vos obrigar vos saudamos com uma salve-rainha:
Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve!A vós bradamos, os degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e, depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.

- Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.

- Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Amém!